Brasileiro leva ‘Instagram da vida real’ a ruas contra overdose de internet

Matéria por Ana Ikeda
Do UOL, em São Paulo

Confesse: antes do Instagram você não tinha vontade de postar a foto do seu almoço. Nem ficava esperando ansiosamente “curtidas” nas fotos das férias… durante as férias. Foi para chamar a atenção a essa mudança de hábito, às vezes levada ao extremo, que o publicitário Bruno Ribeiro, 35, criou um “Instagram da vida real”. Ele instala nas ruas de Londres, no Reino Unido, molduras que imitam o aplicativo. Com direito a filtro e hashtag.

O projeto “Real Life Instagram” (Instagram da vida real), segundo Ribeiro, é uma homenagem ao aplicativo, mas também um alerta para que as pessoas se lembrem de “curtir” – de maneira offline – os lugares que visitam.

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Os ”filtros” das telas nada mais são do que papéis celofane coloridos. ”Coloco o Instagram analógico seguindo a mesma lógica da foto que eu tiraria para postar no aplicativo”, explica Bruno Ribeiro, 35

Muita gente acaba se esquecendo de desfrutar os momentos, acredita o publicitário, de tão preocupadas que estão em registrá-los com a câmera do smartphone.

As fotos podem ser conferidas no Tumblr “Real Life Instagram” e no perfil de Ribeiro no Instagram.

Overdose digital 

Mesmo sendo fã do Instagram, pela rede “levar a fotografia para o cotidiano das pessoas”, Ribeiro se diz incomodado com a dependência tecnológica cada vez maior. “Acho que elas estão tendo uma overdose de digital, ficam conectadas 24 horas por dia, todos os dias, e não conseguem mais ficar longe da internet.”

Para as pessoas refletirem sobre a questão, ele teve a ideia de criar as molduras que imitam o Instagram. Os “filtros” nada mais são do que papéis celofane coloridos. “Coloco o Instagram analógico seguindo a mesma lógica da foto que eu tiraria para postar no aplicativo. Escolho um lugar turístico, um grafite, um detalhe interessante”, explica.

A reação das pessoas ao “Instagram da vida real” é imediata, afirma Ribeiro, mas acaba levando muitos a registrarem — justamente com seus viciantes smartphones — a arte curiosa. “Às vezes eu nem terminei de instalar a moldura e já tem fila para fotografar, o que é bem engraçado.”

Já teve até quem levasse a imitação da tela para casa. “Mas não fiquei bravo. Quero que as pessoas se divirtam também, além de pensarem em se desconectar um pouco da internet.”

Por enquanto, a intervenção urbana está nas ruas de Londres, mas o publicitário quer levar o projeto para outras cidades — talvez até no Brasil. “Na minha próxima viagem, tenho planos de reproduzir a experiência.”

Fonte: http://tecnologia.uol.com.br/

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