Tecnólogos estão em alta

Profissionais com formação prática são valorizados por setores como construção civil, tecnologia da informação e saúde

A graduação tecnológica abre as portas para o mercado de trabalho. Com duração de até dois anos, esse curso superior tem conteúdo que valoriza a prática, de acordo com as exigências do mercado corporativo.

Renato Butsher, de 43 anos, tinha uma clínica de podologia, no Jardim Marajoara, na Zona Sul, quando resolveu aperfeiçoar os conhecimentos. “Fiz cursos profissionalizantes, técnico e de formação específica. Mas sentia a necessidade de saber mais.” Em 2009, se formou como tecnólogo em podologia. Butsher atua na área há 20 anos e apesar de já ter conquistado seus clientes, se sentia como uma “máquina de tratamento dos pés”, atuando sem ter um grande conhecimento sobre os problemas e doenças que tratava. Agora, ele consegue explicar seu trabalho e a razão de ter que realizar certos procedimentos.

Com a famosa divulgação boca a boca, o movimento na clínica aumentou cerca de 40% depois que ele terminou essa graduação. Para Armando Bega, coordenador do curso de podologia da Universidade Anhembi Morumbi, o setor está em crescimento no país e o mercado busca mão de obra especializada. “O diferencial está na formação tecnológica, na fundamentação que esse aluno adquire. O estudante obtém os conhecimentos necessários para atuar na sua área”, comenta.

foto: Gastão Guedes/Divulgação
O Centro Paula Souza oferece cursos em 51 unidades, como na Fatec Jaú, onde há laboratório de construção naval

Empregabilidade / Há cada vez mais chances para o tecnólogo. “A sintonia com o mercado faz com que a empregabilidade seja muito grande”, diz Ângelo Luiz Cortelazzo, coordenador de ensino superior do Centro Paula Souza, que administra as 51 unidades das Faculdades de Tecnologia de São Paulo (Fatecs).

Tecnologia da informação (TI), tecnologia da comunicação, análise e desenvolvimento de sistemas e jogos digitais são algumas das áreas que estão em alta (veja mais ao lado).

De acordo com Cortelazzo, a oferta de vagas em cada setor depende da especificidade de cada região. “Piracicaba tem demanda por profissionais com conhecimento em biocombustíveis, já o ABC emprega mais quem possui prática em indústria automotiva e eletrônica”, destaca. Ele ressalta que, em alguns casos, a elaboração da matriz curricular do curso acontece em parceria com o setor produtivo, assim, o profissional formado já conhece as reais necessidades do seu segmento de atuação.

Modalidade é uma das que mais crescem no país
A oferta e a procura pela graduação tecnológica vêm crescendo nos últimos anos. Segundo Marcelo Machado Feres, coordenador de planejamento e gestão da rede federal de educação profissional do Ministério da Educação (MEC), no ano 2000 eram oferecidos 360 cursos. Oito anos depois (2008), 4.500 graduações.

Dados do Resumo Técnico da Educação Superior de 2009, do MEC, mostram como essa modalidade vem ganhando espaço. Em 2001, 29.779 alunos cursavam o tecnológico, o número subiu para 162.287 em 2005 e chegou a 680.679 em 2009. Conforme o documento, o ensino à distância (EAD) também tem se destacado: de 32.732 alunos em 2005 para 193.949 em 2009.

“O crescimento só não foi maior porque o MEC é rigoroso para autorizar novos cursos. Existe até uma demanda para a substituição de cursos tradicionais, que não têm mais procura”, ressalta Feres. Para ele, normalmente o corpo docente das faculdades já conta com profissionais com grande experiência prática para transmitir aos alunos.

As Faculdades de Tecnologia de São Paulo (Fatecs), que ministram cursos tecnológicos gratuitamente, registraram aumento de alunos no vestibular. A relação candidato/vaga para análise e desenvolvimento de sistemas em Carapicuíba é de 13,65. No total, as Fatecs possuem 50.208 estudantes em todo o estado. Para o segundo semestre, 39.377 candidatos vão disputar 10.860 vagas.

“A procura pelos cursos tem aumentado nos últimos anos. Eles começaram timidamente e, hoje, já são uma realidade com uma aceitação muito grande em todas as camadas socioeconômicas do país”, diz Arthur Sperandéo de Macedo, vice-reitor das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), com 30 opções de graduação tecnológica.

Boas oportunidades para estagiários e trainees
Para Manoela Costa, gerente da Page Talent, unidade especializada em estágios e trainees da Page Personnel, as graduações tecnológicas são focadas em setores que exigem experiência. “É um caminho mais específico. Vejo muitos profissionais que fizeram uma graduação tradicional e, depois, utilizaram a tecnológica para se aprimorar.”

A formação prática é o diferencial desse tipo de modalidade. “O estudante já sai com a prática exigida pelas empresas que vão empregá-lo”, fala  Ângelo Luiz Cortelazzo, coordenador de ensino superior do Centro Paula Souza. Manoela aconselha utilizar essa experiência como uma porta de entrada para o mercado, no qual o jovem pode ter seu primeiro contato com a área escolhida, antes de investir numa graduação tradicional.

Áreas em destaque
Construção civil

Tecnologia da informação

Tecnologia da comunicação

Jogos digitais

Turismo

Biocombustíveis

Saúde

Análise e desenvolvimento de sistemas

Fonte:Diário de São Paulo – http://www.diariosp.com.br/index.php?id=/viva/indice_impresso/materia.php&cd_matia=98684

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